CAVALEIRO TAUROMÁQUICO
O cavaleiro José Bento d'Araújo e a tauromaquia em Portugal nos séculos XIX e XX. Memórias. The History of bullfighting in Portugal - cavaleiro José Bento d'Araújo, and the refined art of horsemanship. Bullfights of the past. L'histoire de la tauromachie au Portugal - le cavaleiro José Bento d'Araújo et l'art raffiné de l'équitation. Corridas d'antan. Historia de las corridas en Portugal - el rejoneador José Bento d'Araújo y el arte del toreo a caballo. Corridas de otros tiempos.
25.8.10
13 DE AGOSTO DE 1893 - OS JORNALISTAS AMADORES DE OUTROS TEMPOS...
20 DE AGOSTO DE 1893 - "A PRIMEIRA CORRIDA NOCTURNA NA PRAÇA DE TOUROS DO CAMPO PEQUENO"
In A SEMANA DE LISBOA - SUPPLEMENTO DO JORNAL DO COMMERCIO, Lisboa.
22 DE OUTUBRO DE 1893 - JOSÉ BENTO REGRESSA DE PARIS
In A SEMANA DE LISBOA - SUPPLEMENTO DO JORNAL DO COMMERCIO, Lisboa.
26 DE JULHO DE 1911 - O TOUREIRO PRETO NA PRAÇA DE ALGÉS
12 DE AGOSTO DE 1911 - JOSÉ BENTO DE ARAÚJO NO CAMPO PEQUENO
24 DE AGOSTO DE 1911 - A MULHER-HOMEM TOUREIA EM ALGÉS E AS VEDETAS EM CACILHAS
In A CAPITAL, Lisboa.
31 DE AGOSTO DE 1911 - JOSÉ BENTO EM MONTEMOR-O-NOVO
In A CAPITAL, Lisboa.
6 DE SETEMBRO DE 1911 - JOSÉ BENTO E JOÃO COUTINHO NO BRASIL
O AMADOR JOÃO COUTINHO
Parte em breve para Manaus e outros pontos do Brazil este valente e distincto bandarilheiro amador.
É sabido que João Coutinho, tão estimado entre nós, conta no Brazil, sobretudo no Pará, onde esteve com José Bento d'Araújo, innumeras sympathias, devido ao successo que alcançou na época passada.
João Coutinho parte independente de qualquer empreza.
In A CAPITAL, Lisboa
13.7.10
19 DE JULHO DE 1911 - A VÉSPERA DA CORRIDA...
17 DE JULHO DE 1911 - A CORRIDA ANUNCIADA
É na proxima quinta-feira que se realisa, no Campo Pequeno, a annunciada corrida nocturna em beneficio de José Bento d'Araujo.
No programma, além d'este applaudido cavalleiro e do seu collega José Casimiro, figuram os nossos melhores bandarilheiros e os espadas Gallito e Cocherito de Bilbao.
Os cavalleiros Casimiros escrevem-nos, agradecendo aos amigos, ao publico, e em geral á imprensa o auxilio que lhes prestaram para a sua corrida do dia 9.
PRAÇA D'ALGÉS
No dia 19 realisar-se-ha em Algés, uma tourada como ha muito tempo se não effectua n'aquella praça. Além de um escolhido grupo de bandarilheiros, abrilhantarão a lida os notaveis cavalleiros José Bento d'Araujo e Morgado de Covas que se apresentarão trajando rigorosamente á alentejana.
In A CAPITAL, Lisboa.
13 DE JULHO DE 1911 - A FESTA ANUNCIADA É NA PRÓXIMA QUINTA...
A tourada nocturna de hoje a oito dias, em beneficio de José Bento, offerece-se promissora de grandes attractivos.
Marcam-se bilhetes, desde já, na sède da Companhia de Carruagens Alliança, ao bairro Camões.
1 DE JULHO DE 1911 - A FESTA CONTINUA...
13 DE JUNHO DE 1911 - A FESTA ADIADA
O benefício do cavalleiro José Bento, que estava marcado para domingo, ficou transferido para outra data que serà oportunamente annunciada, visto o estado de saúde do referido cavalleiro não lhe permitir que tomasse parte agora na lide.
In A CAPITAL, Lisboa.
12 DE JUNHO DE 1911 - A FESTA DE JOSÉ BENTO D'ARAÚJO
Causou agradavel impressão no público aficionado o programma que o festejado cavalleiro José Bento d'Araujo apresenta no proximo domingo aos seus numerosos amigos.
A vinda a Lisboa dos applaudidos matadoures de touros Conchita de Bilbao e Revertito é signal evidente de que os amadores assistirão a um magnífico trabalho não só em bandarilhas, como com a muleta e capote, pois tanto o bilbaíno como o sevilhano são dois artistas do género.
Umas das phases da corrida que decerto despertará também grande enthusiasmo será a da competência entre Cadete e Thomaz da Rocha, dois excellentes bandarilheiros que contam numerosos amigos, havendo já apostas sobre qual ficará vencedor.
Com tantos attractivos e ainda outros que brevemente serão annunciados, cremos que a corrida do próximo domingo no Campo Pequeno será não só interessante como imensamente concorrida.
In A CAPITAL, Lisboa.
8 DE JUNHO DE 1911 - A FESTA DE JOSÉ BENTO D'ARAÚJO
Realisa em 18 do corrente, na praça do Campo Pequeno, a sua festa artística o cavalleiro José Bento d'Araujo, que tantas sympathias conta entre os aficionados.

José Bento está organisando para essa tarde um programma sensacional que despertará o maior enthusiasmo pelos elementos artísticos que comportará, não só portugueses como hespanhoes.
Desde já se marcam bilhetes para esta sensacional corrida na sède da companhia de carruagens Alliança, no bairro Camões.
In A CAPITAL, Lisboa.
3.7.10
16 DE JUNHO DE 1912 - CORRIDA DAS ESCOLAS LIBERAIS
Campo Pequeno
Já hoje podemos dar os nomes dos artistas que tomam parte na corrida das Escolas Liberaes.
Cavalleiros são Fernando Ricardo Pereira, Eduardo Macedo, José Casimiro e Morgado de Covas e bandarilheiros Theodoro Cadete, Torres Branco, Arthur Felix, Manuel dos Santos, Thomaz da Rocha, Augusto Salgado, Alexandre Vieira, João d'Oliveira, Alfredo dos Santos e Custodio Domingos.
Os touros destinados á lide de cavallo, serão recolhidos pelos artistas José Bento d'Araujo e Manuel Casimiro. A commissão ainda espera a resposta de dois espadas.
18.4.10
TOUREIRAS EM LISBOA
José Bento de Araújo, natural da freguesia da Ajuda e mestre de equitação que se exibiu nas praças alfacinhas da Junqueira, do Campo de Sant'Ana e do Campo Pequeno, havia sido o monitor de uma célebre Madame Clotilde Mayestrick. Alemã de nascimento, esta artista veio a Portugal com os seus de alta escola e trabalhou em 1889 no Real Coliseu (o edifício da Rua da Palma onde se realizaram os primeiros espectáculos de cinema na capital e onde hoje se situa a Garagem Lis).
A Mayestrick apaixonou-se pelo toureio que entendeu como forma máxima de equitação, recorrendo a José Bento para a ajudar. Praticou em várias praças até chegar à consagração do Campo Pequeno em Setembro de 1902.
O mesmo cavaleiro alfacinha deve ter ganho gosto pela experiência e quis ensaiá-la também com uma francesa de nome Marie Gentis. Esta tinha a particularidade de montar à amazona e chegou a fazer a sua perninha em plena cidade de Paris, numa praça improvisada na Rue Pergolèse. Em Lisboa, embora sem desagradar, não passou de Algés.
O princípio do século XX deve ter sido, aliás, propício ao aparecimento de mulheres toureiras em Lisboa. Em Setembro de 1902, por exemplo, entrou pela arena do Campo Pequeno nada menos do que uma quadrilha de senhoritas toureiras. Eram oito e exibiam-se a pé e a cavalo. Segundo os apontamentos preciosos de Pepe Luís, a apresentação destas "gracias" na arena lisboeta saldou-se, porém, por uma pequena desgraça, sem um minímo entendimento entre elas - e entre elas e os cornúpetos.
No mesmo ano de 1902, estreou também na grande praça de Lisboa a espanhola Maria Salomé, conhecida por "La Reverte". Ao contrário de outras, fazia certa gala em se mostrar varonil e em enfrentar touros já de certo porte. Como curiosidade, anote-se que, quando as mulheres foram proibidas de tourear em Espanha, Maria Salomé não hesitou em declarar-se como homem e passar a chamar-se Agústin. Mas as mudanças de sexo não eram então tão comuns como hoje e foi como Maria Salomé que "La Reverte" morreu.
In O Poço da Cidade - de APPIO SOTTOMAYOR - A Capital - 25/9/1991 - Lisboa
7.3.09
15 DE AGOSTO DE 1896 - JOSÉ BENTO DE ARAÚJO NO RIO DE JANEIRO
Rua do Boulevard em frente á estação dos bonds de Villa Isabel
Companhia tauromachica composta de insignes toureiros portuguezes e hespanhois sob a direcção dos eminentes e primeiros cavalleiros tauromachicos nos principais circos de França, Hespanha e Portugal, Alfredo Tinoco da Silva e José Bento de Araujo.
HOJE, SABBADO 15 E AMANHÃ, DOMINGO 16
ÁS 3 HORAS DA TARDE
Duas extraordinarias corridas em que serão lidados 6 touros nacionaes apoiados escrupulosamente por pessoa de inteira confiança da empreza nos conhecidos campos de Laranjal.
6 TOUROS PORTUGUEZES das raças mais apuradas e pertencentes aos conceituados e bem conhecidos lavradores, os Exmos. Srs. Comendador Paulino da Cunha e Silva, José Palha Blanco, Luiz Patricio e Estevão de Oliveira Junior.
Apresentação na mesma tarde dos dois eminentes vultos da tauromachia portugueza, Alfredo Tinoco da Silva e José Bento de Araujo, que executarão as cortezias de XXX nos seus suberbos cavallos PEPENILLO e GENTIL (magestosamente ajaezados) e lidarão 5 touros nestas excepcionaes corridas.
3ª apresentação do notavel espada Alberto Hojas - Colon - do bandarilheiro hespanhol Manuel Urabo e dos applaudidos toureiros portuguezes Carlos Gonçalves, Luiz Homem e Carlos Silva. O valente grupo de moços de forcado capitaneados pelo applaudido e valente pegador Cara Linda, fará as pegas que o director da corrida determinar.
Campinos, carecas, papagaios, andarilhos e tudo quanto é costume nestes espectaculos, formarão o brilhante cortejo nas venias antes e no final da corrida. Amenisarão estas deslumbrantes corridas, tocando alternadamente as pecas do seu reportorio a banda marcial do 22º de infantaria e a do conhecido professor XXX.
Detalhe do dia 15 - 1º touro (portuguez), farpeado pelo cavalleiro Alfredo Tinoco; 2º touro bandarilhado por Carlos Gonçalves e Luiz Homem; 3º touro (portuguez), farpeado pelo cavalleiro José Bento; 4º touro, bandarilhado por Carlos Silva e Carlos Gonçalves; 5º touro, bandarilhado pelo espada e seu bandarilheiro; 6º touro (portuguez), farpeado pelos dois cavalleiros.
Os bilhetes para estas extraordinarias corridas acham-se desde já a venda, por especial favor, no theatro Sant'Anna e na rua do Mercado n. 74.
Preços - Camarotes com 5 entradas 40$; sombra XX$; sol XX$.
Não ha entradas de favor. As portas de entrada abrem-se á 1 hora da tarde.
Atenção - As pessoas possuidoras de bilhetes (completos) da 2ª corrida têm direito a igual entrada para a 3ª corrida (exclusivamente). Os Srs. espectadores só poderão requisitar senha de sahida (para a rua) depois de corridos os tres primeiros touros (intervalo).
Por motivos imprevistos a empreza não pôde conseguir para estas corridas touros de Montevidèo da raça cruzada com Mura e Yeranguas, o que espera conseguir para as corridas seguintes.
Corridas todos os domingos e dias santificados. Havera bonds especiaes no fim das corridas.
in SOL E SOMBRA, 15/08/1896, Rio de Janeiro, Brasil1.3.09
HISTÓRIA DAS TOURADAS E DA PRAÇA DE SANT'ANA
"Campo de Santana - No mesmo local, onde já em 1767 existira uma pequena praça que não fez história, inaugura-se, em 3.7.1831, a praça do Campo de Santana, sendo lidados nada menos do que dezasseis touros oferecidos pelo rei...
No mês de Dezembro de 1887 realizou-se a última corrida, em que participaram os cavaleiros Casimiro Monteiro, Alfredo Tinoco, José Bento de Araújo e D. Luís do Rego, que enfrentaram touros dos irmãos Robertos."
(Guerra, M. A. (1994). Praças de touros. In F. Santana & E. Sucena (Coords.), Dicionário da história de Lisboa (pp. 728-729). Sacavém: Carlos Quintas & Associados.
26.2.09
6 DE SETEMBRO DE 1903 - JOSÉ BENTO DE ARAÚJO NO BRASIL
PELOS ESTADOS
Tomaram tambem parte nesta festa do Colyseu Paraense os cavalleiros Albano Custodio e Joaquim Victor Marques. Rufino de Oliveiro, conhecido bandarilheiro paraense, tambem tomou parte nesta corrida.in A CANOAGEM - 17/10/1903 - Brasil
22.2.09
1908 - BRASIL - O CAVALEIRO FRANCISCO BENTO D'ARAÚJO - FILHO DE JOSÉ BENTO
21.2.09
AGRADECIMENTO
"FESTA MAIS CULTA"
'Cavaleiro Tauromáquico' é o título de um blog centrado na figura de José Bento d'Araújo e na tauromaquia dos séculos XIX e XX.
José Bento d'Araújo (1852-1924) foi um dos mais populares cavaleiros da transição entre aqueles dois séculos. Era o tempo dos touros corridos, vício que não incomodava José Bento. "Fazia-lhe tanta diferença ter de toirear um toiro puro como um com oito ou nove praças", assinala Pepe Luís ("Lisboa das Toiradas"). Presença habitual nas praças portuguesas, actuou também na França (Paris, Nîmes, Avignon, Marselha), Espanha (Madrid, San Sebastián) e Brasil. José bento d'Araújo foi também empresário taurino. Além da preciosa informação já disponibilizada, o autor do blog, Rui Araújo (descendente de José Bento?), promete divulgar brevemente "documentos inéditos de arquivos estrangeiros".
in A FESTA MAIS CULTA - 5 de Fevereiro de 2009
CAVALEIRO TAUROMÁQUICO agradece a Manuel Peralta Godinho e Cunha (PARTEBILHAS) e a Alberto Franco (A FESTA MAIS CULTA) as amáveis palavras que mereceu a ambos.
E aproveita a oportunidade para responder à pergunta formulada por Alberto Franco: "Rui Araújo (descendente de José Bento?)..."
Sim.
19.2.09
1889-1892 - A GRANDE PRAÇA DE TOUROS DO BOIS DE BOULOGNE (PARIS)
No domingo 28 de Agosto de 1890, os forcados africanos substituem os das Landes.
Na quinta-feira 9 de Outubro é realizada a primeira corrida nocturna.
No sábado 11 e no domingo 12 de Outubro, depois da tourada, é apresentado às 20:30 nas arenas, um concerto. A orquestra, composta por 160 músicos, toca obras de Berlioz, Gounot, Saint-Saens, Auber, Salvayre, etc.
A época de 1891 começa no domingo 24 de Maio e termina no domingo 8 de Novembro.
No domingo 5 de Julho é apresentada uma personagem inédita. Eis o relato do jornal diário parisiense Le Figaro (na secção "Correio dos Teatros"): "Para além das atracções habituais, que proporcionavam a presença de Valentin Martin, Le Mateito, os toureiros das Landes e os 'picadors', muito aplaudidos, é necessário mencionar o 'great event' da jornada com o aparecimento de Mademoiselle Gentis, a escudeira de alta escola, que acaba de realizar uma autêntica proeza. Foi a primeira a actuar, e combateu o touro com uma tal ousadia, que foi longamente aplaudida e coberta de flores. O habilidoso cavaleiro Bento de Araújo partilhou o triunfo da charmosa escudeira."
A época de 1892 só começa no domingo 26 de Junho.
Todos as quintas-feiras e domingos, 10.000 a 15.000 pessoas deslocam-se às arenas de Paris para aplaudir Angél Pastor, Le Pouly, Le Mateito, Francisco Granja, Juan Ripoll, Marius Monnier e os cavaleiros "en place" Bento de Araújo e Mademoiselle Maria Gentis.
Na terça-feira 4 de Outubro de 1892 o jornal Le Figaro escreve: "Apesar do mau tempo, havia muita gente nas arenas da Rua Pergolèse. A 28ª corrida de touros foi marcada pela alternativa de P. Frascuelo. Foi das mais movimentadas e das mais brilhantes. Os touros eram vigorosos e derrubaram por mais de uma vez os picadores. José Bento de Araújo e a charmosa 'caballera' Maria Gentis permanecem excepcionais. Esta última deve lutar não só contra o touro, mas também contra o seu cavalo, que continua a ser rebelde. Ela plantou duas javelinas magistrais. Frascuelo, cuja chegada era impacientemente aguardada pelos aficcionados parisienses, não os desiludiu. Demonstrou um talento e uma coragem extraordinários. A quadrilha provençal de Marius Monnier, de Marselha, apresentava a sua despedida ao público parisiense. Deixou-lhe a melhor impressão e foi alvo de uma verdadeira ovação. Na próxima quinta-feira é a 29ª corrida com Frascuelo. Início dos forcados africanos, cujo trabalho algo fantasista agradou imenso, no ano passado, aos frequentadores da 'Plaza'."
As actividades da 'Gran Plaza' de Touros deixam de ser publicitadas a partir de terça-feira, 18 de Outubro de 1892.
Não é realizada em Paris uma única tourada na época de 1893.
No dia 12 de Janeiro de 1893, a Sociedade Anónima da Gran Plaza de Touros do Bois de Boulogne, com o capital de 5.000.000 francos, declara falência. As peças expostas no Museu Tauromáquico são vendidas em leilões. Em Setembro, as arenas e dependências são vendidas por um preço ridículo e são demolidas.
Em 1899, a tentativa de organizar touradas revela-se um fracasso.
Em 1925 são efectuadas algumas corridas nas arenas de Paris.
Em Setembro de 1942 são realizadas mais algumas no (tristemente célebre) Vel'd'Hiv, na capital francesa.
Fonte: Hubert Demory
4.11.08
LISBOA 2008 - JOSÉ BENTO DE ARAÚJO
LISBOA 2008 - JOSÉ BENTO DE ARAÚJO
10.9.08
6 DE MARÇO DE 1894 - PORTO - FESTEJOS HENRIQUINOS
29 DE MARÇO DE 1896 - O EXPRESSO - INAUGURAÇÃO DA ÉPOCA
6.9.08
15 DE MAIO DE 1910 - CAUDETE : "LA PLAZA MÁS BONITA DE ESPAÑA"
"La Plaza más bonita de España" era o título de um dos jornais espanhóis, dando notícia da construção em Caudete de uma praça de toiros, linda, magnífica e ao estilo bizantino.
A praça foi inaugurada em 1910 e foi mandada construir por Francisco Albalat, conde de S. Carlos, que era um grande aficionado da festa taurina e possuidor de enorme fortuna.
A praça de toiros construída em Caudete, uma pequena povoação com cerca de 7.000 habitantes nessa época, situada entre as províncias de Alicante, Valencia e Murcia, tinha lotação para 9.000 pessoas, Teve um percalço complicado antes da abertura, porque foi construída sem arquitecto e por um mestre-de-obras seguindo as indicações do conde, tendo o "Ayuntamiento" negado a respectiva autorização para a abertura ao público, o que só foi conseguido depois de ter sido paga uma elevada multa.
Em 15 de Maio de 1910, teve lugar a inauguração, com cerca de 5.000 espectadores e o seguinte cartaz: 1 toiro de Damian Flores para o cavaleiro português José Bento d'Araújo e 6 toiros de Saltillo para os matadores Ricardo Torres "Bombita" e Rafael González "Machaquito". Acontece que uns dias antes da inauguração, Ricardo Torres foi colhido e foi substituído pelo matador Enrique Vargas "Minuto".
A praça de toiros foi quase completamente destruída com os bombardeamentos durante a Guerra Civil e mais tarde, em 1986, foi restaurada, tendo sido suprimido o terceiro piso e o gradeamento em ferro.
Os restos da praça foram levados para Valencia. para construção do Mercado Colón.
3.9.08
5 DE JUNHO DE 1903 - DOIS DIAS ANTES DO DIA DE "TROMBA LINDA"

Toureiam a cavallo José Bento, Fernando de Oliveira, Manuel Casimiro e Joaquim Alves.
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A ultima parte da lide está confiada aos festejados "espadas" Faico e Montes, e o trabalho de bandarilhas a cargo de Theodoro Gonçalves, J. Cadete, Saldanha, Manuel dos Santos, Thomaz da Rocha, Paqueta, Calderon e Limeño, estes ultimos das "cuadrillas" dos dois "espadas".
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2.9.08
30.8.08
7 DE JUNHO DE 1903 - O DIA DE "TROMBA LINDA"
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3 DE SETEMBRO DE 1924 - "OS QUE MORREM"
José Bento de Araujo
Pelas 16 horas, realizou-se o funeral do conhecido cavaleiro tauromaquico José Bento de Araujo.

O prestito funebre saiu da igreja do Coração de Jesus para o cemiterio dos Prazeres. No acompanhamento viam-se muitos artistas e afficionados da arte de Montes.
Sobre o ataude foram dispostas grande numero de coroas e ramos de flores naturaes.
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Fizeram-se representar no funeral as Associações dos Toureiros, Proprietarios de Trens de Aluguer, Empresa do Campo Pequeno, etc.
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No cemiterio foram organizados varios turnos.
in A CAPITAL - 3 de Setembro de 1924
TOURADAS NO RIO DE JANEIRO
As touradas tiveram origem nos países da Península Ibérica. Mas se espalharam pelos territórios colonizados, onde passaram a ser praticadas nas mais diversas modalidades. No Brasil, o espetáculo se difundiu especialmente no fim do século XIX, quando existiam várias "praças de touros". A chegada de José Bento de Araújo e Alfredo Tinoco, famosos cavaleiros tauromáquicos, atraiu grande público para as touradas e deu novo impulso a essa festa que começava a cair no gosto da população brasileira, principalmente da carioca.
Foi na capital da República que as touradas fizeram mais sucesso. Na Divisão de Periódicos da Biblioteca Nacional, há diversas publicações que atestam o status que a atividade ganhou com a vinda dos toureiros portugueses. O sucesso fez com que elas passassem a ser notícia em vários jornais da época, culminando, em 1896, com o lançamento do periódico Sol e Sombra, que refletiu o entusiasmo dos cariocas. Apresentando-se como um "órgão da arte tauromáquica" e uma "folha para ricos e pobres - se ricos e pobres quiserem dar por ela 200 réis", o jornal mencionava o crescente interesse dos cariocas pelo "vibrante divertimento hispano-lusitano" e celebrava o êxito da empreitada:... se só agora o Rio de Janeiro consente em assistir a touradas e se já vai a elas com a mesma alegria e a mesma impaciência do público português e espanhol nas tardes destas funções inteiramente suas, - é porque o Rio de Janeiro só agora pode assistir a verdadeiros torneios e perceber a graça bizarra e todo o encanto deste divertimento popular, porque só ele tem o condão estranho de confundir, no mesmo momento, o entusiasmo do homem rude do povo com o do mais correto homem do mundo.
O semanal crítico-literário A Bruxa também tratou do assunto em suas páginas. Com texto de Olavo Bilac e ilustrações de Julião Machado, a publicação fez eco ao entusiasmo do público ao divulgar a "importante corrida de touros" ocorrida no sábado, dia 8 de agosto de 1896. A partir de então, A Bruxa passaria a publicar os croquis das touradas. O periódico Dom Quixote, de Ângelo Agostini, também noticiou os eventos, com direito a ilustração do próprio pintor.
Assunto de muita discussão, as touradas fazem sucesso até hoje nos países ibéricos. Aqui no Brasil, a prática perdeu força ao longo dos anos, mas se manteve viva em países como Peru, México, Guatemala e Equador. Uma das formas mais tradicionais dessa prática consiste em atrair o touro com o agitar de uma flanela vermelha (muleta) para golpeá-lo com uma bandarilha - haste de madeira com um arpão na ponta - quando ele se aproxima. O touro é atraído e golpeado sucessivamente até o golpe final, que o leva à morte. Os aspectos violentos e sádicos do ritual angariaram opositores de várias organizações protetoras de animais e estimularam o surgimento de organizações internacionais contra a prática de touradas, que fazem campanhas anuais de conscientização em várias cidades do mundo.
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28.8.08
(BREVE HISTÓRIA) DA TAUROMAQUIA EM PORTUGAL
in A Praça de Toiros do Campo Pequeno, p. 20 - A. Manuel Morais
27.8.08
6 DE JUNHO DE 1903 - UM DIA ANTES DO DIA DE "TROMBA LINDA"
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Certamen de ganadorias – Está despertando o maior interesse e enthusiasmo a corrida que amanhã se realisa na Praça do Campo Pequeno, não só porque reune elementos artisticos de primeira ordem, como tambem por haver grande curiosidade de saber qual dos creadores ganhará o premio, por apresentar o touro mais bravo e mais fino.
Os espadas da tarde são Faico e Montes, e os cavalleiros José Bento, Fernando de Oliveira, Manuel Casimiro e Joaquim Alves. Os touros são lidados em todos os tercios.
Hoje, ás 2 horas da tarde, reune na praça do Campo Pequeno o jury que classificará o touro de melhor estampa e que possua mais predicados de touro de lide.
O curro entrou hontem na praça e é composto de animaes lindissimos.
Basta dizer que os afamados creadores Emilio Infante, Faustino da Gama, marquez de Castello Melhor e Correia Branco mandaram para a corrida certamen o melhor que tinham nas suas manadas.
26.8.08
PRAÇA DO CAMPO PEQUENO - CORRIDA EXTRAORDINÁRIA - 6 DE ABRIL DE 1903
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Á hora a que entramos na praça, 1 da tarde, já uma parte do sol está ocupado por espectadores e, caso extraordinario, na sombra, logares numerados, já se vêm (sic) senhoras..
Alguns camarotes encontram-se egualmente ocupados.
Na praça trabalha-se activamente; ultimam-se as decorações, especialmente a da tribuna real, que faz já prever um admirável effeito, pelo seu lindo aspecto decorativo.
A pista apresenta, como novidade em praças portuguezas, uma orla de arabescos a vermelho, branco e azul.
No touril, as grades foram cobertas por uma draperie de purpura, franjada a amarello.
Os camarotes de sombra estão guarnecidos de preciosas colchas de damasco de côres diversas, presas com cavilhas de metal amarello, alternando com cobrejões alemtejanos listrados de côres gritantes e cada um com pittorescos bouquets de flores.
Nos camarotes de sol, a decoração é toda a colchas de setim.
A guarnição do gradeamento dos fauteuils é de velludo grénat, com franjas da mesma côr.
Á volta de toda a praça pendem festões de verdura e rosas.

A tribuna real parece ser o foco de todo o effeito decorativo e, na verdade, é de um aspecto soberbo. Externamente, guarnecem-n’a magnificos panos de velludo purpura, onde destaca, n’uma elegante simplicidade, uma meia lua de rosas de vivo colorido, e ramos frescos de lilazes, arbustos floridos saem aos lados, sobre o fundo azul e branco dos cortinados de seda.
Interiormente de bom gosto tambem o modo como foi adornada a tribuna. As paredes são forradas de panejamentos de tom azul claro com applicações em relevo de escudetes portuguezes e flores de liz douradas. O pavimento esta alcatifado em ramagens vermelhas e o docel com pannos de setim de cores nacionaes.
A escada que da accesso á tribuna real esta egualmente ornamentada com gosto, brilhando magnificos vasos com arbustos em todos os degraus e aos cantos dos patamares, palmeiras e fetos, e poltronas de seda amarella.
Na sala que antecede, a mobilia é antiga, estofada a damasco. Sobre uma das mesas, 4 binoculos de corrida.
Eis como outro jornal descreve a corrida.
O 1º touro foi manso; o 2º nobre e cumpriu; o 3º e o 4º mansos; o 5º cumpriu; o 6º saiu o mais bravo de todos; o 7º, 8º e 9º foram maus; e o 10º era bravo.
José Bento e Fernando de Oliveira apanharam o touro mais bravo, e, pondo de parte o receio que no começo da lide ambos mostraram, com especialidade José Bento, que até cedeu uma sorte, foi o trabalho dos dois cavalleiros o mais luzido da tarde.
Fernando salientou-se n’uma saída falsa magnifica e n’um ferro curto primoroso, havendo outro tambem excelente de José Bento.
Obtiveram ambos uma ovação estrondosa.
José Bento brindou pela imprensa.
Fernando d’Oliveira foi brindado com um alfinete d’ouro para gravata pelo sr. José Ignacio de Vallada. O alfinete foi entregue ao illustre artista espetado n’um charuto.
Manuel Casimiro e Joaquim Alves, não obstante terem diligenciado tourear, defrontaram-se com dois mansos, e não puderam brilhar, embora collocassem alguns ferros de valor.
Notamos contudo a maneira distinta e artistica por que Joaquim Alves preparou uma saída ao 8º touro do curro, estacando o seu cavallo com firmeza quando se viu com o terreno vencido pelo adversario.
Deveras apreciámos tambem os progressos de Eduardo Macedo, que rematou sortes com muito luzimento, entrando bem, calculando os terrenos como devia, e mostrando coragem.
Simões Serra consentiu admiravelmente os seus touros em duas recargas, collocando tambem algumas farpas com exito.
Observaremos, porém, que um e outro tiveram a sorte de lhes tocar o 5º e 10º touros, que se prestaram ao castigo.
A gente de pé esteve trabalhadora, e com o capote distinguiram-se Teodoro e Manuel dos Santos, estando diligente Torres Branco.
O 2º touro foi bem bandarilhado por Teodoro e Cadete. O 4º coube a Torres Branco e Manuel dos Santos, que o aproveitaram bem, apesar de ser manso.
Torres, á gaiola, deixou o melhor par da tarde, empregando bandarilhas de surpreza, das quaes saíram as bandeiras ingleza e portugueza.
Manuel dos Santos tambem pôz um bom par, apparecendo egualmente as bandeiras das duas nações.
Manuel dos Santos offerecera a serie aos mocarcas, dizendo o seguinte:
— Tenho a honra de brindar a SS. MM. e faço votos pelas prosperidades das duas nações alliadas.
O mesmo toureiro que, durante a tarde, mostrou mais uma vez a sua coragem e vontade de agradar, fez cambios de joelhos, recortes,mareou os touros, adornando-se com intrepidez e, finalmente, passou de muleta o 4º - tirando alguns passes aceitaveis. dadas as pessimas condições do animal.
O trabalho dos dois artistas foi muito applaudido.
Silvestre Calabaça collocou dois pares bons no 9º e tentou um quiebro na cadeira que resultou imperfeito, porque o touro arrancou incerto.
A melhor pega da tarde foi a de Carraça, no 9º touro. O 1º enxovalhou uns poucos de forcados, e, por fim, nem á volta o conseguiram pegar.
O 2º touro foi pegado por Alcorrial e ainda melhor: ajudado pelos companheiros, e o 4º por João Couto, que egualmente fez figura. Houve uma pega de volta regular por “Pé de Chumbo” e Carraça.
O 7º foi pegado ao sopé por José Peixinho, que brindou por Eduardo VII, de joelho em terra.
Todos os toureiros offereceram sortes aos monarcas.
O rei de Inglaterra ficou muito bem impressionado com a corrida, demorando-se na praça mais tempo do que tencionava.
Gostou immenso das pegas e apreciou muito a intrepidez dos toureiros.
Eduardo VII sorria-se sempre que os forcados levavam boleos.
No sol houve bengalada rija entre dois espectadores. Os monarcas assestaram para lá os seus binoculos e parece terem apreciado muito esse numero extra-programa, em que recebeu um ferimento na cabeça... uma senhora, e foi preso um dos audazes corsarios lusos – perdão, um dos audazes contentores.O desfile, na Avenida, á volta dos touros, dizem que foi um espectaculo de verdadeira maravilha.
14.8.08
3 DE SETEMBRO DE 1924 - A HISTÓRIA DE UMA VIDA

12.8.08
1953 - HISTÓRIA DA TAUROMAQUIA
















